30 de mai de 2012

(3) Por causa da editora que não gosta de literatura pulp

Texto: Fabiano Vianna
Fotos: Marco Novack
Estrelando: Dimis Sores, Carolina Fauquemont, Nika Braun & Wagner Corrêa
Arte: Marja Calafange
Figurinos: Day Bernardini
Maquiagem: Carol Suss
Assistente de Maquiagem: Grace Lee França
Apoio: Trio Luz

Agradecimentos : 
Raquel Deliberali, Ato 1 LabEugênia Castello Andrea Tristão


Parte 3

Isabela Souza foi a segunda pessoa que eu matei. Até então, a queridinha da editora. Publicou quatro romances – o último conta a história de um amor não correspondido entre uma mulher e um orangotango. Podia até ser bom, se não fosse o linguajar poético romanesco. Tenho vontade de pulverizar cada um dos poetas que vagam pela XV com seus livretos Xerox e que me perguntam diariamente se gosto de poesia e eu respondo: “Prefiro Turma da Mônica”.
Eles parecem emergir de dentro dos bueiros, tipo jogo do Mario Bros. Andar no centro é um videogame – saltar ciganas, se esconder dos palhaços, ignorar estátuas vivas...
Marquei com Isa no Parque Barigüi – ela costumava correr todo final de tarde. Totalmente aparamentada com roupas de lycra e tênis futurista. E eu, completamente sedentário, tive que comprar um agasalho só para isso. Com tênis allstar velho, antiquado. Fingi ser um atleta, mas a cada cem metros tinha que dar uma aspirada de oxigênio na bombinha. Ela percebeu e até ficou preocupada, mas eu disse que naquele dia a asma estava atacada.
Então quando estávamos perto da região do lago onde eu sabia que o jacaré atacava, empurrei-a. Fiz parecer que ela havia caído acidentalmente. Gritei: “Meu Deus! Alguém me ajuda! Minha amiga caiu no lago. O jacaré...”. Felizmente em alguns segundos, o réptil devorou-a completamente. Os guardinhas municipais apareceram depressa, mas só conseguiram resgatar um dos braços, com IPOD acoplado. Eu forcei um choro e disse: “Que desastre! Que desastre!” Algumas pessoas vieram me consolar. Um dos guardas verificou o aparelho e disse: “Ui, ela gostava de Foo Fighters!”. E o outro: “O jacaré vai ter congestão!”
Daí juntou um monte de curiosos e uma viatura me trouxe em casa.
Antes de subir até o apartamento, comprei duas latinhas de cerveja, desta vez. Senti a mesma euforia, adrenalina correndo solta, enquanto os números do elevador se aproximavam do meu andar. Abri a blusa do moletom, sentei em frente ao computador e escrevi mais uma crônica. Depois mais uma, e a inspiração durou até de madrugada. Matar os escritores estava me fazendo muito bem. Se eu continuasse neste ritmo, logo teria um livro. Ou virava alcoólatra.


(continua...)

Fabiano Vianna 

Brasileiro. Nasceu em Curitiba, Julho de 1975. Formado em Arquitetura e Urbanismo. Trabalha como diretor de arte, designer, ilustrador e escritor. Como escritor expressa sua literatura na forma de fotonovelas. Lançou em Outubro de 2009 a revista de literatura pulp, Lama. Em Junho de 2011, lançou a Lama nº 2. Gosta de Moleskines, fotonovelas, charutos, lambretas, gravatas, noir e literatura fantástica. Não fica nem um dia sem o café tradicional das padarias do centro da cidade. Mantém também 
o blog  www.contosdapolpa.blogspot.com. 

Marco Novack

Publica suas imagens no site: http://www.marconovack.com.br

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